Seção IV · artigo 14 de 20
Dor, desconforto e lesão
A diferença entre o desconforto esperado do esforço, a dor muscular tardia e os sinais de alerta. Quando parar e procurar atendimento.
Exercício envolve esforço, e esforço envolve sensações: cansaço, ardência muscular, respiração acelerada, músculos doloridos no dia seguinte. Algumas dessas sensações são esperadas. Outras são sinais de que algo não está bem. Saber a diferença ajuda a não ignorar um sinal de alerta e, ao mesmo tempo, a não se assustar com o que é normal. Este artigo descreve essas diferenças. Ele não dá nenhuma orientação de tratamento.
Aviso de segurança. Dor aguda e repentina, dor numa articulação, estalo seguido de dor, inchaço, perda de força ou de movimento, formigamento ou dor que piora com o esforço são sinais para interromper o exercício imediatamente e avisar a equipe. Dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura ou desmaio exigem interrupção e atendimento médico, como descreve o artigo sobre sinais de alerta.
O desconforto esperado do esforço
Durante um exercício intenso, é normal sentir os músculos cansarem, uma sensação de ardência na região que trabalha, a respiração ficar mais rápida e o coração acelerar. Essas sensações aparecem e diminuem com a pausa. Elas são parte do estímulo e, em geral, são simétricas, difusas e proporcionais ao esforço.
A dor muscular tardia
Um ou dois dias depois de um treino novo ou mais intenso, é comum sentir os músculos doloridos, sobretudo ao movimentá-los ou ao pressioná-los. Essa dor muscular tardia costuma ser difusa, atinge a região que trabalhou, aparece horas depois do treino e diminui ao longo de alguns dias. Ela é frequente no começo do treino e quando algo muda no estímulo.
A dor muscular tardia não indica a qualidade do treino. Um treino bom não precisa deixar a pessoa dolorida, e a ausência dessa dor não significa que o treino não teve efeito.
A dor que é sinal de alerta
Algumas características diferenciam a dor que pede atenção:
- Início: aparece de repente, durante um movimento, em vez de surgir horas depois.
- Local: está numa articulação, como joelho, ombro, punho ou coluna, e não no corpo do músculo.
- Tipo: é aguda, em pontada, em choque, ou vem acompanhada de estalo.
- Sinais associados: inchaço, vermelhidão, calor local, perda de força, limitação de movimento, formigamento ou dormência.
- Evolução: não melhora, piora com o tempo ou volta sempre no mesmo movimento.
- Assimetria: aparece só de um lado, sem razão aparente.
Dor muscular tardia e dor articular aguda não são a mesma coisa
Essa é a distinção mais importante. A dor muscular tardia é difusa, no músculo, aparece depois e passa. A dor articular aguda é localizada, numa articulação, aparece durante o movimento e pode indicar uma lesão. A primeira é comum e esperada; a segunda é sinal para interromper e investigar.
Quando parar
Diante de qualquer sinal de alerta, o caminho é interromper o exercício, não insistir no movimento e avisar o professor ou outra pessoa da equipe. "Terminar a série" ou "aguentar mais um pouco" não faz sentido quando há dor desse tipo.
Quando procurar atendimento
Se a dor é intensa, se há inchaço, deformidade, perda de movimento, formigamento persistente, ou se a dor não melhora, o caminho é procurar atendimento de saúde. Diagnóstico e tratamento de lesões são atribuição de médicos e fisioterapeutas. O professor de educação física não trata lesões e não substitui essa avaliação.
Dores que já existiam
Muitas pessoas chegam à academia com dores antigas: nas costas, nos joelhos, nos ombros. Essas dores precisam ser contadas na avaliação, para que o treino seja organizado considerando-as, como explica para que serve a avaliação física. Se a dor muda de padrão durante o treino, o professor deve saber.
Voltar depois de uma lesão
O retorno ao treino depois de uma lesão costuma depender de orientação de quem tratou: médico ou fisioterapeuta. Com essa orientação, o professor reorganiza o treino no retorno, de forma gradual.
Comunicar é parte do treino
Muitas pessoas hesitam em contar que sentiram dor, por receio de parecer fracas ou de atrapalhar. Mas a informação é útil para o professor: permite ajustar um exercício, trocar uma variação, rever a execução ou encaminhar para avaliação. Contar não é exagero.
Dor antes de começar
Se a pessoa já chega à academia com dor, o treino do dia pode precisar ser ajustado ou adiado. Contar isso ao professor antes de começar é melhor do que descobrir no meio do exercício.
Em resumo
Cansaço, ardência e dor muscular tardia são sensações esperadas do esforço. Dor súbita, articular, em pontada ou acompanhada de inchaço, perda de força ou formigamento é sinal de alerta: parar, avisar a equipe e, se for o caso, procurar atendimento. Diagnóstico e tratamento de lesões não são assunto do professor nem deste portal.
Perguntas frequentes sobre o tema
- Ficar dolorido no dia seguinte é normal?
- A dor muscular tardia é comum, sobretudo no começo ou quando o treino muda, e costuma passar em alguns dias.
- Dor no joelho durante o exercício é normal?
- Dor numa articulação durante o movimento é sinal para interromper e avisar a equipe.
- O professor pode tratar minha lesão?
- Não. Diagnóstico e tratamento cabem a médicos e fisioterapeutas.